O tempo é bom para muitas coisas, mas por vezes é cruel e fugidio.
Circunstâncias várias fazem com que ele falte, com que seja até desperdiçado.
Torna-se contudo bom, qundo o conseguimos arrumar e utilizar em "coisas" de que gostamos.
Escrever neste blog é um desses casos e portanto, vou tentar arranjar algum tempo.
Mesmo abordado com toda a modéstia, Alvaiázere merece ser o tema principal deste amontoado de palavras a que se convencionou chamar de "blog".
Prometo andar por aqui-
16.4.08
Novo Regresso
21.4.07
Alvaiázere de outros tempos (38)
Pensei no título que deveria dar a este apontamento.
Encontrei esta palavra, para expressar a forma de intervenção do Jornal, num periodo em que a Espanha estava a ferro e fogo e que, internamente, se consolidava o regime e Salazar aparecia cada vez mais endeusado.
Em editoriais escritos no início de 1938, era bem patente o espírito que reinava entre os apoiantes do regime, de que o Jornal era um ruídoso arauto.
Intitulado “Ressurgimento”, editado em Fevereiro de 1938, o artigo de fundo então nele publicado, começando por fazer referência á forma elogiosa, como o representante diplomático de Inglaterra se tinha referido à obra em curso no Portugal de então, comparava o estado em que se encontrava o país dez anos antes, com o que se estava vivendo. E a diferença consistia em que Portugal tinha ganho credibilidade e respeito internacional.
Com as finanças públicas em ordem, havia paz e principalmente, havia estabilidade no governo.
E esse devia-se a Salazar.
Por outro lado, havia que transmitir valores mais específicos, para que se criasse um homem novo, um verdadeiro filho da revolução em curso.
Neste contexto, por exemplo, o Dr. Costa Leite, então ministro do Comércio e Presidente da Junta Central da Legião Portuguesa, apontava no Jornal, esse homem como sendo o Legionário que tinha de ser um bom soldado, não só na forma como maneja as armas, mas, sobretudo, pelo seu espírito de disciplina e pela sua formação moral.
Os Serviços de Acção Social e Política da Legião Portuguesa, de que Costa Leite era Presidente, tinham como finalidade preparar moral e intelectualmente o Legionário, arrancando-lhe da alma os vícios contraidos noutros tempos.
Essa educação moral, social e política, bem prenhe de valores cristãos, iria assegurar o prosseguimento firme e certo da obra prodigiosa de Salazar, no dizer do articulista.
A tudo isto associava o Jornal os artigos da “Campanha Anti-Comunista”.
Era a Revolução no seu melhor, reagindo deste modo à guerra civil que grassava aqui ao lado, em Espanha e que iria terminar meses mais tarde.
15.4.07
Alvaiázere de outros tempos (37)
Janeiro de 1938
Em jeito de crónica, referem-se os factos mais importantes que constaram no Jornal deste mês, para que possa existir uma mais perfeita noção dos tempos que se viviam.
Vereador Acácio Manso – obras municipais, urbanização e fomento;
Vereador Comendador Cesário Neves – saúde pública, cultura e assistência.
Tudo isto foi noticiado no Jornal de 26 e Janeiro de 1938.
10.4.07
Alvaiázere de outros tempos...(36)
A Fundação dos Bombeiros - Os primeiros 21 contos de réis
Esta lista, contém os nomes das personalidades que se destavam, efectivamente, como grandes comerciantes e industriais, todos oriundos do concelho de Alvaiázere.O ano de 1938 foi importate para a Intituição.
2.4.07
Alvaiázere de outros tempos (35)
António Ribeiro Ferreira - De Jovem Pioneiro a Senhor do Regime!
António Ribeiro Ferreira, na época Director de “O Alvaiazerense”, conjuntamente com o seu irmão Manuel e com o Dr. Campeão de Freitas, tomou posse com Governador Civil de Évora.
Advogado em Lisboa, exercendo a advocacia muito próximo do centro de poder, prestou valioso contributo para a realização e implantação do Estado Novo.
Tinha sido vereador da Câmara Municipal de Lisboa e Presidente da Comissão Concelhia de Lisboa da União Nacional.
Os jovens que em Maio de 1926, iniciaram em Alvaiázere a tarefa de levar por diante o desenvolvimento da sua terra, eram já ilustres advogados e homens do Estado Novo, ocupando lugares de destaque.
Mais tarde o Dr. António Ribeiro Ferreira, lograria vir a ser Presidente do Sporting Clube de Portugal.
28.2.07
Alvaiázere de outros tempos (34)
No trilho da memória
Esta foto é do início dos anos 30.
O seu lado direito permanece praticamente intacto.
O seu lado esquerdo, contudo, já não existe.
O espaço então edificado, corresponde hoje à rua que desce ao lado do edifício da Caixa Geral de Depósitos.
Naquela época, no rés -do-chão, existia um estabelecimento comercial de tecidos, e por cima a Casa do Povo.
Mais tarde, o primeiro andar serviu para acolher os Bombeiros, sendo a sua primeira sede 
27.2.07
Alvaiázere de outros tempos (33)
O Conselho Municipal
Este órgão, que tinha competência electiva face aos vereadores da câmara Municipal, era a expressão viva do estado corporativo, pois continha, nessa perspectiva, a representação das forças económicas e sociais do concelho.
As juntas de freguesia, nomearam em 13 de Novembro de 1937, os seus representantes em número de quatro, coincidindo essa nomeação com os nomes de quem nomeou, ou seja , os presidentes das juntas , nomearam-se a eles mesmos para representarem as suas juntas no conselho.
E assim composto o Conselho por:
Representantes das Juntas de Freguesia - Manuel Simões Cardo, comerciante, José Ribeiro dos Santos, proprietário, Joaquim Marques Simões, proprietário, António José Mendes de Oliveira, comerciante, Augusto Teixeira da Cunha, proprietário, contribuinte da contribuição predial rústica, P.e Manuel Gonçalves Serra, pároco de Almoster, representante da Misericórdia de Alvaiázere, José Barata Ribeiro de Oliveira e Silva, proprietário, contribuinte da contribuição predial rústica, António Maria Ferreira do Amaral Peres, proprietário, representante da Casa do Povo, António Silva, industrial e Aires da Silva, industrial, contribuintes da contribuição industrial.
Reuniram no dia 25 de Novembro de 1937 e, depois de verificados os poderes pelo Presidente da Câmara, que presidiu à reunião, procederam à eleição da vereação da câmara, já que, por força do Código Administrativo, o Presidente da Câmara era nomeado pelo Governo.
Como tudo fazia prever, a nomeação viria a recair sobre o Dr. António Maria Campeão de Freitas, que já desempenhava essas funções desde 1933.
Entretanto, as obras de electrificação do concelho continuavam a bom ritmo, tendo sido concedida autorização, por portaria, para que a Câmara Municipal contraísse um empréstimo à Caixa Geral de Depósitos para fazer face às despesas tidas com as mesmas.