23.8.05

Alvaiázere de outros tempos...(11)

A extinção do Concelho de Alvaiázere...

Costuma dizer-se que um mal nunca vem só, e foi num ambiente de grande preocupação, que começou a constar que o Governo da Ditadura, no seu ardor reformista, se propunha extinguir alguns concelhos, entre eles, o de Alvaiázere.
Por alturas de Outubro/Novembro de 1927, começaram a surgir essas notícias.
O alarido era muito e já todos estavam traumatizados com o que aconteceu com a comarca.
Foi assim que, no dia 16 de Novembro de 1927, ocorreu mais uma grande reunião na sala de Sessões da Câmara Municipal.
Reunida “ad hoc”, foi presidida pelo Eng. Francisco Adrião Lagoa , secretariado pelos senhores José Barata Ribeiro de Oliveira e Silva e Prof. José Maria Castelão.
O dr. Manuel Ribeiro Ferreira apresentou aos presentes uma “Representação” dirigida ao Ministro do Interior, que tinha sido elaborada por ele próprio, com a colaboração dos senhores Mário de Castro Rosa (chefe da Secretaria da Câmara Municipal) e do Sr. Miguel Oto, (chefe da Secção de Finanças).
Nesse documento, era feita uma interessante análise do movimento económico do Concelho e, bem assim, era elaborada uma caracterização geral, por forma a transmitir, inequívocamente, a razão da existência do Concelho.
Houve diversas intervenções de que se destacaram a efectuada pelo Dr, Acúrcio Lopes.
Elegeram então os presentes uma Comissão, composta pelos senhores Dr. Manuel Ribeiro Ferreira, Dr. Acúcio Lopes, Acácio Manso, José Rafael e Freitas, José Ribeiro de Carvalho, Cesário Neves, Pe. Manuel Gonçalves Serra, Juvêncio da Silveira e Castro, José Barata Oliveira e Silva, Mateus Pereira dos Reis, Francisco Vieira Sousa Rego e António Alves Pereira Brandão, sendo posteriormente integrada, em Lisboa, pelo Dr. António Ribeiro Ferreira.
Essa Comissão tinha com a finalidade de entregar a referida “Representaçâo” no Ministério.
A entrega da mesma foi efectuada na sala de reuniões do conselho de ministros, na pessoa do Chefe de Gabinete do Ministro do Interior, que logo descansou os presentes, afirmando não pensar o governo extinguir conselhos, estando somente nomeada uma comissão para estudar essa possibilidade.
Ora, o presidente dessa comissão era o Dr. José Marinho Simões, Secretário Geral do Ministério, a quem, de seguida, se dirigiram, e que lhes afirmou que “ se vierem a ser extintos alguns concelhos, não deverá entrar neste número o concelho de Alvaiázere”.
Todos estes factos são relatados na edição n.º 29, ocorrendo nela um insólito caso de censura interna.
O jornal foi para a tipografia com diversos artigos para compor e, entre eles, foi enviado um, da autoria de António Álvaro Nunes Sério, com o título de “Alérta!!!” que possivelmente se dirigia ao poder central palavras duras, quando o tom do jornal, depois, das reuniões ocorridas em Lisboa, já era nitidamente conciliatório.

E digo possivelmente, pois reparado no seu conteúdo, já depois do jornal impresso, nada mais restou fazer que não fosse imprimir uma tarja preta sobre o artigo, pois imprimir de novo o jornal corrigido, ficava muito mais caro.

Entretanto e paralelamente, foram investidos, no cargo de Presidente da Comissão Administrativa, o Conselheiro Dr. Simões Baião e no de Administrador do Concelho o Sr. Acácio José Ferreira, por nomeação do Governador Civil do Distrito.

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