Desapareceram duas Personalidades de relevo!
1927/29
1927/29
O período que tenho estado a apontar, inicia-se em Maio de 1926 e termina em Novembro de 1929, limitado, portanto, pela existência de cerca de 46 exemplares (raros) do jornal “O Alvaiazerense”.
Nesse período desapareceram personalidades de relevo e valor, mas existem duas que, para além de António José Ferreira, a que já me referi, merecem menção especial.
Possuindo estilos e trilhando percursos diferentes, saliento o Conselheiro Doutor José Eduardo Simões Baião e Policarpo Marques Rosa.
A primeira foi um ilustríssimo jurista no campo do Direito Administrativo, alto funcionário público, tendo intervenção de relevo, no fim da sua vida, ao nível local, pois vivia nos Jordões – Pussos e era, à data da sua morte, Presidente da Comissão Administrativa do Município de Alvaiázere.
O Conselheiro Baião, nascido nos Jordões em 1851, iniciou a sua carreira em 1875, como advogado, em Ansião, chegando a ser Administrador daquele Concelho.
Ocupou seguidamente o cargo de Administrador do Concelho de Pombal, concorrendo a Secretário-geral do Governo Civil de Leiria, lugar em que logrou colocação.
Nesse cargo de Secretário-geral, passou pelos distritos de Castelo Branco Santarém e Faro.
Foi nomeado Governador Civil de Santarém, por Hintze Ribeiro, do Partido Regenerador, em que era o Presidente do Conselho.
Com a saída do Partido Regenerador do poder, foi nomeado Auditor Administrativo do Distrito de Lisboa.
Voltou a ser Governador Civil de Santarém, com o regresso do Partido Regenerador ao poder, sendo agraciado pelo Rei D. Carlos, com a Carta do Conselho, o que lhe valeu o título de Conselheiro.
No Governo de Teixeira de Sousa, foi nomeado Governador Civil de Leiria, lugar que ocupou até à data da implantação da República.
Foi também deputado, abandonando ambos os cargos na época republicana.
Até 1925 foi Presidente da Comissão Distrital de Leiria, da Causa Monárquica.
Como advogado, tinha enorme experiência no campo do Direito Administrativo.
Foi a enterrar fardado de Governador Civil, segundo reza o jornal, transportando a espada e o chapéu armado, o Sr. Manuel Nunes dos Santos.
A segunda personalidade foi Policarpo Marques Rosa, nascido na Pederneira – Nazaré e que teve um percurso bastante diferente.
O seu contacto com Alvaiázere, teve a ver com o estudo do traçado da sinuosa estrada, que liga o Pontão a Figueiró dos Vinhos.
Seguidamente foi fazer o traçado da estrada também sinuosa, que liga a Batalha à actual Fátima, passando pelo Reguengo do Fetal, onde nasceu o seu primeiro filho, Mário de Castro Rosa.
Era apontador de estradas.
Depois, fixou-se em Alvaiázere, onde exerceu as funções profissionais de Notário e de Solicitador.
Também se dedicava à arquitectura, sendo de sua autoria, o projecto da casa mais emblemática de Alvaiázere, a Casa do Casal Novo, do seu amigo António José Ferreira.
Foi Presidente do Senado Municipal, Administrador do Concelho, Director do Hospital e do Grémio Alvaiazerense, durante a Primeira República.
Activista republicano, fundou os jornais “ O Combate” e “ Pátria Livre”, que tiveram publicação em fins do Séc. XIX, princípios do Séc. XX.
Mas a sua verdadeira dimensão reside no facto de também se dedicar às artes, especialmente à literatura.
São de sua autoria obras como “D. Mécia”, “ Princesa Joana” e “Três Mulheres”, um livro de “Sonetos”, além várias de peças de teatro.
Literariamente, estava próximo de Júlio Dantas e de Júlio Brandão, longe portanto do modernismo emergente, aquele que originou o Manifesto Anti-Dantas (morra o Dantas PIM…).
Escritor erudito, escreveu sobre estórias da História, passadas em diversas épocas.
Tinha como característica, utilizando a sua enorme cultura, escrever as suas obras, introduzindo os termos e os diálogos em português das épocas que tratou.
Tal facto torna-as menos acessíveis, mas extremamente curiosas, pelo enquadramento e o rigor histórico conseguidos.
Sendo romances, naturalmente ficcionados, abordam períodos da história fundamentais.
Em “D. Mécia” (Mícia), a Reconquista; na “ Princesa Joana” a ascensão de D. João II e o começar dos grandes Descobrimentos.
No livro de contos “Três Mulheres”, destaco “Fátima” (a Oureana), princesa moura, cujo nome deu origem à povoação Fátima, onde hoje é venerada uma Senhora Aparecida, que destronou todas aquelas que a crendice popular foi adorando ao longo dos Séculos, como sejam a Nª Senhora dos Covões ou a Senhora da Nazaré, para não falar de muitas outras.
“Fátima“, além de ser um hino ao amor e à dignidade da Mulher, trata do período inicial da Reconquista, no reinado de D. Afonso Henriques e da acção do “Traga Mouros”.
São obras historicamente críticas, tendentes a desmistificar certas personagens, como sejam a Santa Joana de Aveiro e o próprio D. João II, em “Princesa Joana”, ou D. Afonso III e os Templários, em “D. Mécia”.
P. Marques Rosa, estava ligado a tertúlias literárias como era o “Serrote”, de que era presidente, e que se reunia nas termas de Pedras Salgadas, Vila Pouca de Aguiar.
A sua orientação espiritual e a forma de estar e ver a vida, levaram-no a consagrar em todas as suas obras o “ eterno feminino”, tão actual em obras como sejam o “Código Da Vinci”.
Repare-se que todas as suas obras têm nomes de mulheres, onde são tratadas nas suas qualidades e nos seus defeitos, com enorme dignidade e adoração.
Só por isso, vale a pena lê-las.
Como seu bisneto, habituado a ler, e cada vez mais a compreender, os livros que desde miúdo tinha lá em casa, irei futuramente debruçar-me sobre alguns aspectos da sua obra, para que seja mais conhecida.
Num dia de Outubro de1927, foi a enterrar em campa rasa no cemitério de Alvaiázere num caixão simples, feito de tábuas de pinho, coberto por um pano preto.
Diz-se que, na Farmácia, a verdadeira tertúlia da terra, o juiz Pires da Rocha, protestava que não se devia nunca deixar enterrar um homem daqueles, sem saber como era constituído o seu cérebro.
Não teve a acompanhá-lo Irmandade, nem música.
Estiveram presentes, todos os padres do Concelho, pois eram seus amigos.
Nesse período desapareceram personalidades de relevo e valor, mas existem duas que, para além de António José Ferreira, a que já me referi, merecem menção especial.
Possuindo estilos e trilhando percursos diferentes, saliento o Conselheiro Doutor José Eduardo Simões Baião e Policarpo Marques Rosa.
A primeira foi um ilustríssimo jurista no campo do Direito Administrativo, alto funcionário público, tendo intervenção de relevo, no fim da sua vida, ao nível local, pois vivia nos Jordões – Pussos e era, à data da sua morte, Presidente da Comissão Administrativa do Município de Alvaiázere.
O Conselheiro Baião, nascido nos Jordões em 1851, iniciou a sua carreira em 1875, como advogado, em Ansião, chegando a ser Administrador daquele Concelho.
Ocupou seguidamente o cargo de Administrador do Concelho de Pombal, concorrendo a Secretário-geral do Governo Civil de Leiria, lugar em que logrou colocação.
Nesse cargo de Secretário-geral, passou pelos distritos de Castelo Branco Santarém e Faro.
Foi nomeado Governador Civil de Santarém, por Hintze Ribeiro, do Partido Regenerador, em que era o Presidente do Conselho.
Com a saída do Partido Regenerador do poder, foi nomeado Auditor Administrativo do Distrito de Lisboa.
Voltou a ser Governador Civil de Santarém, com o regresso do Partido Regenerador ao poder, sendo agraciado pelo Rei D. Carlos, com a Carta do Conselho, o que lhe valeu o título de Conselheiro.
No Governo de Teixeira de Sousa, foi nomeado Governador Civil de Leiria, lugar que ocupou até à data da implantação da República.
Foi também deputado, abandonando ambos os cargos na época republicana.
Até 1925 foi Presidente da Comissão Distrital de Leiria, da Causa Monárquica.
Como advogado, tinha enorme experiência no campo do Direito Administrativo.
Foi a enterrar fardado de Governador Civil, segundo reza o jornal, transportando a espada e o chapéu armado, o Sr. Manuel Nunes dos Santos.
A segunda personalidade foi Policarpo Marques Rosa, nascido na Pederneira – Nazaré e que teve um percurso bastante diferente.
O seu contacto com Alvaiázere, teve a ver com o estudo do traçado da sinuosa estrada, que liga o Pontão a Figueiró dos Vinhos.
Seguidamente foi fazer o traçado da estrada também sinuosa, que liga a Batalha à actual Fátima, passando pelo Reguengo do Fetal, onde nasceu o seu primeiro filho, Mário de Castro Rosa.
Era apontador de estradas.
Depois, fixou-se em Alvaiázere, onde exerceu as funções profissionais de Notário e de Solicitador.
Também se dedicava à arquitectura, sendo de sua autoria, o projecto da casa mais emblemática de Alvaiázere, a Casa do Casal Novo, do seu amigo António José Ferreira.
Foi Presidente do Senado Municipal, Administrador do Concelho, Director do Hospital e do Grémio Alvaiazerense, durante a Primeira República.
Activista republicano, fundou os jornais “ O Combate” e “ Pátria Livre”, que tiveram publicação em fins do Séc. XIX, princípios do Séc. XX.
Mas a sua verdadeira dimensão reside no facto de também se dedicar às artes, especialmente à literatura.
São de sua autoria obras como “D. Mécia”, “ Princesa Joana” e “Três Mulheres”, um livro de “Sonetos”, além várias de peças de teatro.
Literariamente, estava próximo de Júlio Dantas e de Júlio Brandão, longe portanto do modernismo emergente, aquele que originou o Manifesto Anti-Dantas (morra o Dantas PIM…).
Escritor erudito, escreveu sobre estórias da História, passadas em diversas épocas.
Tinha como característica, utilizando a sua enorme cultura, escrever as suas obras, introduzindo os termos e os diálogos em português das épocas que tratou.
Tal facto torna-as menos acessíveis, mas extremamente curiosas, pelo enquadramento e o rigor histórico conseguidos.
Sendo romances, naturalmente ficcionados, abordam períodos da história fundamentais.
Em “D. Mécia” (Mícia), a Reconquista; na “ Princesa Joana” a ascensão de D. João II e o começar dos grandes Descobrimentos.
No livro de contos “Três Mulheres”, destaco “Fátima” (a Oureana), princesa moura, cujo nome deu origem à povoação Fátima, onde hoje é venerada uma Senhora Aparecida, que destronou todas aquelas que a crendice popular foi adorando ao longo dos Séculos, como sejam a Nª Senhora dos Covões ou a Senhora da Nazaré, para não falar de muitas outras.
“Fátima“, além de ser um hino ao amor e à dignidade da Mulher, trata do período inicial da Reconquista, no reinado de D. Afonso Henriques e da acção do “Traga Mouros”.
São obras historicamente críticas, tendentes a desmistificar certas personagens, como sejam a Santa Joana de Aveiro e o próprio D. João II, em “Princesa Joana”, ou D. Afonso III e os Templários, em “D. Mécia”.
P. Marques Rosa, estava ligado a tertúlias literárias como era o “Serrote”, de que era presidente, e que se reunia nas termas de Pedras Salgadas, Vila Pouca de Aguiar.
A sua orientação espiritual e a forma de estar e ver a vida, levaram-no a consagrar em todas as suas obras o “ eterno feminino”, tão actual em obras como sejam o “Código Da Vinci”.
Repare-se que todas as suas obras têm nomes de mulheres, onde são tratadas nas suas qualidades e nos seus defeitos, com enorme dignidade e adoração.
Só por isso, vale a pena lê-las.
Como seu bisneto, habituado a ler, e cada vez mais a compreender, os livros que desde miúdo tinha lá em casa, irei futuramente debruçar-me sobre alguns aspectos da sua obra, para que seja mais conhecida.
Num dia de Outubro de1927, foi a enterrar em campa rasa no cemitério de Alvaiázere num caixão simples, feito de tábuas de pinho, coberto por um pano preto.
Diz-se que, na Farmácia, a verdadeira tertúlia da terra, o juiz Pires da Rocha, protestava que não se devia nunca deixar enterrar um homem daqueles, sem saber como era constituído o seu cérebro.
Não teve a acompanhá-lo Irmandade, nem música.
Estiveram presentes, todos os padres do Concelho, pois eram seus amigos.
2 comentários:
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Sou filha de Emílio Machado da Costa Rosa (advogado, já falecido) e neta de Joaquim da Costa Rosa (regente agrícola, já falecido). Estou a tentar construir a árvore genealógica da família com a ajuda do GENI. Não sei se o seu avô é o Policarpo Marques Rosa que casou com uma senhora de nome Lurdes ou se o que casou com Maria Emília Castro Rosa. Recebi recentemente mais dados sobre a nossa árvore genealógica que uma prima Fernanda(via Tia Maria Manuela), teve a gentileza de recolher. Vou poder corrigir o que já está acessível em http://www.geni.com/family-tree/index/5467681631270118647,
que o convido a consultar. Cumprimentos, Constança Costa Rosa (mccrosa@gmail.com)
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