28.9.05

Apontamento

Campanha Eleitoral


Estamos em plena campanha eleitoral, nas eleições que irão escolher os órgãos autárquicos para os próximos quatro anos.

Não é totalmente indiferente a este Blog tudo o que se passa, neste momento, no Concelho de Alvaiázere.
No entanto, entendo que deverão ser os eleitores a escolher livremente, sem que sejam influenciados por opiniões de quem não vota e, portanto, não está “em jogo”.
Do resultado das mesmas sairão esperanças de uma vida melhor ou o eterno conformismo de que tudo ficará na mesma…

Por este lado, mais não nos resta do que ficar atentos, pois, acima de tudo, prezamos o concelho de Alvaiázere e as suas gentes, para quem se deseja sempre o melhor.

Neste momento, todos dizem isso mesmo, todos prometem o possível e o impossível.
O tempo irá dizer quem cumpre e o que cumpre.

O sistema ainda teima, em eleições de cariz perfeitamente local, apresentar a concorrer, estruturas emergentes de partidos políticos ou, quando assim não é, de falsos independentes que, ou se suportam neles, ou cresceram à sua custa.

A bem da urgente reforma do sistema político, única forma, quanto a mim, de salvar a democracia, tão perigosamente desacreditada, o período que se avizinha, irá por à prova o actual sistema.

Isto porque, cada vez mais, as pessoas sindicarão os actos da administração, pondo-os em causa quando necessário.

E aí, talvez se chegue à conclusão que, o aparecimento de movimentos cívicos, de onde emirjam grupos de cidadãos independentes, naturais e a viverem nas suas terras, que bem as conheçam e amem, seja a melhor forma de gerir as autarquias.

Por agora, têm a palavra os ”políticos”!


23.9.05

Alvaiázere de outros tempos...(17)

Duas figuras marcantes do período (26/29)


Ao longo dos breves apontamentos que temos vindo a elaborar, são referidas as personalidades que foram actores das diversas situações vividas.
Contudo, outras há que, não ocupando no período que temos vindo a tratar cargos públicos, foram peças importantes na nova organização que se impunha, por via da Revolução.

Já várias vezes referido, mas não apresentado em concreto, é a vez de conhecermos um pouco mais sobre Cesário Neves.
Nascido em Alvaiázere, na Rua Direita, de família muito humilde, cedo emigrou para o Brasil.
Foi empregado na cidade de Santos até que, por fatalidade do destino, seu patrão, grande comerciante naquela cidade brasileira, faleceu vítima de acidente.
Como era jovem e já estava bem integrado nos negócios do patrão, acaba por ficar a tomar conta dos mesmos, vindo, mais tarde, a casar com a viúva.
Detentor, pois, de uma fortuna considerável, começou por vir à sua terra natal, comprando um terreno onde existia um lagar e construindo lá a sua bela casa no que hoje é, mantendo a sua primitiva estrutura arquitectónica, a Casa da Cultura.
Em todas as iniciativas promovidas pelo Jornal e que temos vindo a relatar, sempre o nome de Cesário Neves, encabeçou todas elas, avançando, generosamente, com dinheiro.
O próprio Jornal, na sua edição de Maio de 1929 vem, em artigo que lhe dedica em primeira página, referir:

“…é um verdadeiro benemérito da nossa terra. A ele se deve muito do bom que a nossa linda Vila possui; à sua crença vigorosa devemos também em grande parte o espírito de confiança e certeza no futuro, que hoje domina e a todos acalenta.”

A sua actividade política nesta fase inicial não é notória, ainda que, mais tarde, venha a ter alguma importância.
Foi Comendador, recebendo a comenda como reconhecimento de toda a sua acção que, aliás, se prolongou muito para além deste período.
Hoje, a ignorância aboliu o seu nome da toponímia da Vila.

Outra figura que também é de certa forma transversal nesta época, é Manuel Simões Cardo.
Aparece-nos como dinâmico comerciante proprietário da “ECONOMIA DO POVO”, estabelecimento que vendia fazendas, mercearias, miudezas, leitos de ferro e chapelaria.
Era agente da Fábrica Vitória, Lda., da Casa Anselmo R. Paiva e da Companhia de Seguros Mundial.
Toda esta publicidade era inserida nos jornais de 1928/9, ao lado de anúncios de casas comerciais de Lisboa, já que o comércio de Alvaiázere, normalmente não mandava publicar anúncios.

Manuel S. Cardo era à época já, um homem moderno.
O seu nome vai aparecendo já ligado à organização das festas da Vila, e é citado com estando presente em todas as principais manifestações, que ocorreram neste período.
Em fase posterior, vai assumir um papel de bastante relevo em Alvaiázere.

22.9.05

Alvaiázere de outros tempos...(16)

1926/29 - Alguns factos e datas


Para além dos factos e datas que fui referindo ao longo destes apontamentos, outros existiram no período, que merecem referência.
Importantes alguns, meras curiosidades, outros, fizeram parte daquele quotidiano em que se tentava construir nova vida.
Era o PREC da altura…
No primeiro ano da existência do Jornal, foram lançadas ideias e reformuladas algumas das instituições existentes.
Além de que algumas delas foram verdadeiramente “abanadas” pelo espírito jovem dos fundadores do Jornal.
Mas entretanto…
Em Fevereiro de 1927, organizava-se a partir de Coimbra uma peregrinação a Lourdes ( França), onde participava, entre outros, a D. Virgínia Peres.
E em Maio desse ano, aposentou-se o Chefe da Secretaria da Câmara Municipal, Sr. Juvêncio Augusto da Silveira e Castro, depois de ter servido durante 48 anos!
Também nesse mês foi extinto o Posto da G.N.R., comandado pelo primeiro-cabo Sr. José Capelo.
A tiragem do Jornal, atingia em Agosto de 1927 o bonito número de 1.100 exemplares!
A Comissão Administrativa da Câmara, deliberou mandar calcetar o caminho para o Cemitério em Fevereiro de 1928.
O Dr. Álvaro Lopes, advogado em Ansião, tomou posse como Conservador da Registo Predial em Abril desse ano.
Vinha a pé ou de mula daquela vila, pois não havia estrada.
Entretanto é publicada, a nível nacional, a Lei das Incompatibilidades e são reduzidos proporcionalmente, os vencimentos dos funcionários públicos.
Era Salazar já em acção!
Dá-se notícia que o caminho-de-ferro entre Lamarosa e Tomar foi inaugurado em Outubro de 1928.
Por acção e com o dinheiro do benemérito Cesário Neves, foi canalizada a água para o Hospital em Outubro de 1928, ao mesmo tempo em que, no mês seguinte, era inaugurada uma sucursal do jornal “ O Século”.
Esta sucursal era a forma moderna de informar.
O jornal emitia telegraficamente as notícias, que Manuel Simões Cardo, solícito, afixava num painel próprio que existia no seu estabelecimento, “A Economia do Povo”, sito ao cimo da Praça (esquina da Rua de Diu).
Era o jornal “on line”!
As despesas com a instalação desta grande inovação para a época, foram suportadas, mais uma vez, por Cesário Neves.
E em Novembro de 1928, foi inaugurado o novo adro, uma das obras a que o Jornal, desde os seus primeiros números, mais tinha incentivado.
E assim ia a Revolução!

15.9.05

Alvaiázere de outros tempos...(15)

A ascensão de um Político

Manuel José Ribeiro Ferreira, funda, com seu irmão, António Ribeiro Ferreira, o jornal “ O Alvaiazerense, em Maio de 1926.
Como já foi referido em apontamento anterior, o verdadeiro motivo da fundação do jornal, residia no facto de estes jovens, amantes da sua terra e defensores de um regionalismo intransigente, quererem contribuir, decisivamente, para o seu desenvolvimento.
Esse regionalismo tinha origem na sua formação monárquica, pois entendia-se que, a salvação de Portugal, estaria no impulso que os velhos municípios poderiam ter, face à falência do regime republicano.
Daí definirem, desde logo, que os artigos de fundo seriam da sua única responsabilidade, deixando para os colaboradores o restante jornal…
Colaboradores, alguns deles, importantes, como foi o caso de Marcello Caetano, amigo e colega da Faculdade de Direito de Lisboa, ainda que mais adiantado nos estudos.
Começou assim, logo do início a tomar posições vigorosas, não só denunciando o que estava mal, com ainda criticando as próprias nomeações para cargos municipais, feitas pela Ditadura.
Manuel Ribeiro Ferreira, nesses primeiros tempos era “quartanista” da Faculdade de Direito de Lisboa.
Licenciou-se em Direito, em Julho de 1927, com elevada classificação.
Tinha 19 anos.
Desde o início da fundação do jornal, começou a participar nas instituições existentes à época, dinamizando-as, como foi o caso do Grémio e do Hospital, conforme atrás se relatou.

A Administração do Concelho, desde o 28 de Maio, veio a conhecer vários protagonistas, gerando uma verdadeira dança de cadeiras.
Assim, logo a seguir à revolução, (Junho de 1926), foi ocupada por Rafael de Freitas.
Sucedeu-lhe Acácio Frazão, em Setembro de 1926, que pouco tempo esteve no cargo, saindo em Abril de 1927.
Passou, nessa data, a ser Administrador, o Tenente de Infantaria João Gomes Silva Teixeira.
Em Novembro de 1927, assumiu o cargo Acácio José Ferreira, “ africanista” e tio dos fundadores do jornal.

Em 16 de Fevereiro de 1928, o Dr. Manuel Ribeiro Ferreira, advogado com banca em Alvaiázere e Ansião, é nomeado Administrador do Concelho.
Tendo entretanto sido lançada a Liga 28 de Maio, conforme atrás relatámos, passou a fazer parte da Direcção Distrital da mesma Liga, em Novembro de 1928.
No período em análise, até 1929, e tendo ocupado durante quase dois anos o cargo de administrador do Concelho, foi nomeado Presidente da Comissão Administrativa do Município de Alvaiázere (Presidente da Câmara) em Novembro desse ano.
A partir daqui, Governador Civil de Leiria, deputado da Nação…
Sempre, sempre, amigo de Alvaiázere!

Armas proibidas...

É isso. Os Blogs, começam a ser armas proibidas.
O FIM de "o Chícharo", deixa antever que algo vai mal,num meio que se pretenderia de sã discussão.
As pressões que silenciam, são sempre más companhias.
O silencio fica podre e não pode ser varrido para debaixo do tapete, pois fica a cheirar mal. Cada vez cheira mais mal.

E mesmo aqueles que não se inscrevem hoje para discutir, são amanhã os mais revoltados, sem saberem porquê.
Nesta terra lê-se às escondidas, comenta-se às escondidas, espreita-se às escondidas.
E não se discutem com seriedade as questões. Refugiamo-nos no dixote e no copo.
E temos muita piada.

O pensador José Gil diria que não estamos inscritos e que, provavelmente, temos medo de existir, de enfrentar as nossas tristes e pobres realidades.
E até elegemos os sítios onde se pode dar uma opinião como armas proibidas.
Tão longe, mas tão perto estamos do ano de 1926!!!

2.9.05

Alvaiázere de outros tempos...(14)

Desapareceram duas Personalidades de relevo!
1927/29

O período que tenho estado a apontar, inicia-se em Maio de 1926 e termina em Novembro de 1929, limitado, portanto, pela existência de cerca de 46 exemplares (raros) do jornal “O Alvaiazerense”.

Nesse período desapareceram personalidades de relevo e valor, mas existem duas que, para além de António José Ferreira, a que já me referi, merecem menção especial.

Possuindo estilos e trilhando percursos diferentes, saliento o Conselheiro Doutor José Eduardo Simões Baião e Policarpo Marques Rosa.

A primeira foi um ilustríssimo jurista no campo do Direito Administrativo, alto funcionário público, tendo intervenção de relevo, no fim da sua vida, ao nível local, pois vivia nos Jordões – Pussos e era, à data da sua morte, Presidente da Comissão Administrativa do Município de Alvaiázere.

O Conselheiro Baião, nascido nos Jordões em 1851, iniciou a sua carreira em 1875, como advogado, em Ansião, chegando a ser Administrador daquele Concelho.
Ocupou seguidamente o cargo de Administrador do Concelho de Pombal, concorrendo a Secretário-geral do Governo Civil de Leiria, lugar em que logrou colocação.
Nesse cargo de Secretário-geral, passou pelos distritos de Castelo Branco Santarém e Faro.
Foi nomeado Governador Civil de Santarém, por Hintze Ribeiro, do Partido Regenerador, em que era o Presidente do Conselho.
Com a saída do Partido Regenerador do poder, foi nomeado Auditor Administrativo do Distrito de Lisboa.

Voltou a ser Governador Civil de Santarém, com o regresso do Partido Regenerador ao poder, sendo agraciado pelo Rei D. Carlos, com a Carta do Conselho, o que lhe valeu o título de Conselheiro.

No Governo de Teixeira de Sousa, foi nomeado Governador Civil de Leiria, lugar que ocupou até à data da implantação da República.
Foi também deputado, abandonando ambos os cargos na época republicana.

Até 1925 foi Presidente da Comissão Distrital de Leiria, da Causa Monárquica.

Como advogado, tinha enorme experiência no campo do Direito Administrativo.

Foi a enterrar fardado de Governador Civil, segundo reza o jornal, transportando a espada e o chapéu armado, o Sr. Manuel Nunes dos Santos.

A segunda personalidade foi Policarpo Marques Rosa, nascido na Pederneira – Nazaré e que teve um percurso bastante diferente.
O seu contacto com Alvaiázere, teve a ver com o estudo do traçado da sinuosa estrada, que liga o Pontão a Figueiró dos Vinhos.
Seguidamente foi fazer o traçado da estrada também sinuosa, que liga a Batalha à actual Fátima, passando pelo Reguengo do Fetal, onde nasceu o seu primeiro filho, Mário de Castro Rosa.

Era apontador de estradas.

Depois, fixou-se em Alvaiázere, onde exerceu as funções profissionais de Notário e de Solicitador.
Também se dedicava à arquitectura, sendo de sua autoria, o projecto da casa mais emblemática de Alvaiázere, a Casa do Casal Novo, do seu amigo António José Ferreira.

Foi Presidente do Senado Municipal, Administrador do Concelho, Director do Hospital e do Grémio Alvaiazerense, durante a Primeira República.

Activista republicano, fundou os jornais “ O Combate” e “ Pátria Livre”, que tiveram publicação em fins do Séc. XIX, princípios do Séc. XX.
Mas a sua verdadeira dimensão reside no facto de também se dedicar às artes, especialmente à literatura.
São de sua autoria obras como “D. Mécia”, “ Princesa Joana” e “Três Mulheres”, um livro de “Sonetos”, além várias de peças de teatro.
Literariamente, estava próximo de Júlio Dantas e de Júlio Brandão, longe portanto do modernismo emergente, aquele que originou o Manifesto Anti-Dantas (morra o Dantas PIM…).

Escritor erudito, escreveu sobre estórias da História, passadas em diversas épocas.
Tinha como característica, utilizando a sua enorme cultura, escrever as suas obras, introduzindo os termos e os diálogos em português das épocas que tratou.

Tal facto torna-as menos acessíveis, mas extremamente curiosas, pelo enquadramento e o rigor histórico conseguidos.

Sendo romances, naturalmente ficcionados, abordam períodos da história fundamentais.
Em “D. Mécia” (Mícia), a Reconquista; na “ Princesa Joana” a ascensão de D. João II e o começar dos grandes Descobrimentos.
No livro de contos “Três Mulheres”, destaco “Fátima” (a Oureana), princesa moura, cujo nome deu origem à povoação Fátima, onde hoje é venerada uma Senhora Aparecida, que destronou todas aquelas que a crendice popular foi adorando ao longo dos Séculos, como sejam a Nª Senhora dos Covões ou a Senhora da Nazaré, para não falar de muitas outras.

“Fátima“, além de ser um hino ao amor e à dignidade da Mulher, trata do período inicial da Reconquista, no reinado de D. Afonso Henriques e da acção do “Traga Mouros”.

São obras historicamente críticas, tendentes a desmistificar certas personagens, como sejam a Santa Joana de Aveiro e o próprio D. João II, em “Princesa Joana”, ou D. Afonso III e os Templários, em “D. Mécia”.

P. Marques Rosa, estava ligado a tertúlias literárias como era o “Serrote”, de que era presidente, e que se reunia nas termas de Pedras Salgadas, Vila Pouca de Aguiar.

A sua orientação espiritual e a forma de estar e ver a vida, levaram-no a consagrar em todas as suas obras o “ eterno feminino”, tão actual em obras como sejam o “Código Da Vinci”.

Repare-se que todas as suas obras têm nomes de mulheres, onde são tratadas nas suas qualidades e nos seus defeitos, com enorme dignidade e adoração.

Só por isso, vale a pena lê-las.

Como seu bisneto, habituado a ler, e cada vez mais a compreender, os livros que desde miúdo tinha lá em casa, irei futuramente debruçar-me sobre alguns aspectos da sua obra, para que seja mais conhecida.

Num dia de Outubro de1927, foi a enterrar em campa rasa no cemitério de Alvaiázere num caixão simples, feito de tábuas de pinho, coberto por um pano preto.
Diz-se que, na Farmácia, a verdadeira tertúlia da terra, o juiz Pires da Rocha, protestava que não se devia nunca deixar enterrar um homem daqueles, sem saber como era constituído o seu cérebro.

Não teve a acompanhá-lo Irmandade, nem música.

Estiveram presentes, todos os padres do Concelho, pois eram seus amigos.

1.9.05

DE NEGRO E CASTANHO PINTADO...

Estes incêndios que nos roem por dentro…

Vemos e não queremos acreditar. Como é isto possível?
Uma imensa mancha verde transformada em carvão e em tons de castanho!
Casas quase comidas pelas chamas, quintais e quintais onde ficou enterrada toda a esperança!

E vêm os entendidos, cada um à sua maneira, defendendo por vezes interesses inconfessados, propor soluções quantas vezes estapafúrdias e desenquadradas da realidade.

Desde o senhor Presidente da República que quer medidas coercivas dirigidas a quem não limpa as matas, até quem defenda que se ordene a floresta, evitando o eucalipto e plantando plantas folhosas, ou quando muito, intercalar as duas plantações.

Os factores que conduzem a esta situação são complexos e não há medidas que por si só, ou mesmo conjugadas, possam resolver o problema rapidamente.

De facto, trata-se de um problema de tempo.
Quanto ao tempo cronológico, ele deverá ser contido num prazo médio, com mudanças profundas na estrutura fundiária das zonas de floresta, promovendo o emparcelamento e, se necessário for, com a alteração do conceito de propriedade, reforçando-o mais, ao ponto de não ser permitido a ninguém entrar em propriedade alheia, sem estar devidamente autorizado.
Por cá, antigamente, quando alguém não queria ver uma terra sua devassada, “entregava-a” à G.N.R. e era afixado na propriedade um cartaz que dizia:
“ Entregue ao cuidado da Guarda Nacional Republicana”.

E o medo encarregava-se de guardar a vinha…

Porque não generalizar o conceito, através de leis que efectivamente sejam para cumprir?
Isto é o que se passa, por exemplo, na vizinha Espanha.

Quanto ao tempo meteorológico, o mal está em circunstâncias excepcionais, agravadas por uma seca prolongada, que deveriam ter sido objecto de uma prevenção especial, que não foi feita.
Os políticos decretaram a época de incêndios, quando deveriam ter previsto que este ano, dado os antecedentes da falta de chuva, haveria problemas sérios, pelo que todas instituições e as populações, deveriam estar mobilizadas para a possibilidade de existir uma situação grave.

A agenda política preferiu os medicamentos e as férias judiciais…

O problema dos fogos passa, é certo, pela limpeza das matas; mas como fazê-lo nas aldeias em que só existe população idosa e onde muitos dos proprietários estão longe e não fazem da exploração da mata a sua vida?

E os terrenos que nem mata têm? Quem os limpa?

Haveria uma solução que passaria por conseguir valor económico para os produtos resultantes da limpeza, ou seja, criando uma rede eficaz para a recolha e sua transformação em bio massa, capaz de produzir energia.

Deveria ser criada uma rede de aterros, municipais ou intermunicipais, para esse efeito.

O transporte seria efectuado por uma frota de carros apropriados ou pelos próprios meios dos particulares (tractores).

A essa solução teria que ser acrescentada a acção de equipas profissionais de intervenção rápida que não deixassem o fogo evoluir, matando-o no início.

Essas equipas seriam patrulhas móveis e não bombeiros estáticos em quartéis, devendo ser já colocadas nas zonas problemáticas.
Com o auxílio de vigias e do GPS, seria fácil estar relativamente próximo dos incêndios em início de ignição.

Quanto ao ordenamento do território há muito a fazer, devendo admitir-se, a médio prazo, a concentração urbana, com todas as vantagens logísticas que tal facto acarretaria.
Os urbanistas que se pronunciem, apontado soluções…
E que o tempo e a mudança de mentalidades o proporcionem!

São ideias que ficam, a somar a tantas outras e, entretanto, a floresta vai ardendo e o negócio das madeiras e dos incêndios, com tudo o que os envolve, vai florescendo,

E eles falam, falam…