Depois das eleições presidenciais e da ocorrência de uma série de factos para que se conseguisse alguma estabilidade governativa, assumiu a pasta das Finanças, com os poderes que exigiu, o Dr. António de Oliveira Salazar.
Foi em 27 de Abril de 1928.
A partir desse momento, começou a solidificar-se a Ditadura, que rapidamente se transformou em Revolução Nacional.
Os cofres do Estado estavam vazios. Com o General Sinel de Cordes tinha sido tentado um empréstimo externo, mas as condições eram de tal maneira gravosas, que o mesmo foi rejeitado.
Havia que apertar o cinto, e foi o que Salazar fez.
Detentor de todo o poder sobre a actividade governamental, não foi difícil tal tarefa, ainda que tenha sofrido algumas pressões e engulhos.
Tinha o apoio de Carmona e da Liga 28 de Maio - a “travestida” Causa Monárquica.
O Jornal veio acompanhando e fervorosamente apoiando, esse movimento.
Em Junho de 1928 publica um artigo que, de uma forma impressiva, vem apoiar a política de forte contenção que começou a ser seguida.
À medida que o tempo vai passando, este Jornal que nunca foi propriamente um “ jornal de paróquia”, foi sendo um importante veículo da política iniciada pelo 28 de Maio e um seu fiel arauto.
Com o evoluir das coisas, os seus jovens fundadores foram criando poder dentro do novo regime, ocupando mais tarde lugares de relevo, quer a nível distrital, quer a nível nacional.
Portanto, o Jornal, além de ser bem escrito e consistente nas opiniões que difundia, foi evoluindo, ele mesmo, à medida em que o Estado Novo, a partir de 1933, se consolidava.
Quando me dispus fazer estes pequenos textos, procurando interpretar o que na altura publicou um pequeno jornal de província, bem sabia que pela qualidade dos seus fundadores, algo iria encontrar de interessante.
Nunca imaginei que tanto fosse.
Atingido o segundo marco que é a entrada de Salazar no poder, e um terceiro que será a publicação da Constituição de 1933, teremos então o Estado Novo em força, com as suas instituições, com os seus constrangimentos e com a esperança que gerou, pois, apesar de tudo, muitos acreditaram nele.
Fiz aqui um ponto de situação, que julgo necessário para enquadrar o que vem a seguir…
O ambiente será sempre o Concelho de Alvaiázere, por circunstâncias várias e especialmente porque teve um jornal bem feito.
Foi ele um reflexo mais ou menos fiel do que se passou em todo o País.