19.10.05

Alvaiázere de outros tempos...(19)

!928 – O ano da Mudança…

Depois das eleições presidenciais e da ocorrência de uma série de factos para que se conseguisse alguma estabilidade governativa, assumiu a pasta das Finanças, com os poderes que exigiu, o Dr. António de Oliveira Salazar.
Foi em 27 de Abril de 1928.

A partir desse momento, começou a solidificar-se a Ditadura, que rapidamente se transformou em Revolução Nacional.

Os cofres do Estado estavam vazios. Com o General Sinel de Cordes tinha sido tentado um empréstimo externo, mas as condições eram de tal maneira gravosas, que o mesmo foi rejeitado.

Havia que apertar o cinto, e foi o que Salazar fez.
Detentor de todo o poder sobre a actividade governamental, não foi difícil tal tarefa, ainda que tenha sofrido algumas pressões e engulhos.

Tinha o apoio de Carmona e da Liga 28 de Maio - a “travestida” Causa Monárquica.

O Jornal veio acompanhando e fervorosamente apoiando, esse movimento.
Em Junho de 1928 publica um artigo que, de uma forma impressiva, vem apoiar a política de forte contenção que começou a ser seguida.

À medida que o tempo vai passando, este Jornal que nunca foi propriamente um “ jornal de paróquia”, foi sendo um importante veículo da política iniciada pelo 28 de Maio e um seu fiel arauto.

Com o evoluir das coisas, os seus jovens fundadores foram criando poder dentro do novo regime, ocupando mais tarde lugares de relevo, quer a nível distrital, quer a nível nacional.

Portanto, o Jornal, além de ser bem escrito e consistente nas opiniões que difundia, foi evoluindo, ele mesmo, à medida em que o Estado Novo, a partir de 1933, se consolidava.

Quando me dispus fazer estes pequenos textos, procurando interpretar o que na altura publicou um pequeno jornal de província, bem sabia que pela qualidade dos seus fundadores, algo iria encontrar de interessante.
Nunca imaginei que tanto fosse.
Atingido o segundo marco que é a entrada de Salazar no poder, e um terceiro que será a publicação da Constituição de 1933, teremos então o Estado Novo em força, com as suas instituições, com os seus constrangimentos e com a esperança que gerou, pois, apesar de tudo, muitos acreditaram nele.

Fiz aqui um ponto de situação, que julgo necessário para enquadrar o que vem a seguir…
O ambiente será sempre o Concelho de Alvaiázere, por circunstâncias várias e especialmente porque teve um jornal bem feito.

Foi ele um reflexo mais ou menos fiel do que se passou em todo o País.

12.10.05

Alvaiázere de outros tempos...(18)

Maçãs de D. Maria

Certamente que os leitores já se interrogaram da razão de não haver uma referência específica à maior freguesia do Concelho – Maçãs de D. Maria.
Efectivamente, somente na sexta edição do jornal, aparece um artigo que se refere concretamente a esta terra.

É compreensível, pois, como se sabe, o jornal partiu de dois jovens estudantes em Lisboa que, mesmo portadores das melhores boas vontades, não eram conhecedores da globalidade do concelho e das pessoas que lá viviam.
Pertenciam a uma elite e era nela que se movimentavam, facto fundamental para que se compreenda tudo o que se passou e que temos vindo a relatar.

Foi nesse contexto que, depois de muita insistência, o Prof. António Ferreira Afonso anuiu escrever e iniciar uma a colaboração no Jornal, que a redacção muito agradeceu, confessando ter sido uma conquista importante para este.

No primeiro artigo, extremamente bem escrito, o Professor situava os tempos que se viviam, escrevendo que “ É necessário tocar a reunir, repetimo-lo, e o congrassamento, sem intenções dúbias, de todos os valores reais que o concelho possui, será, pois um grande passo para se atingir o desideratum que todos almejamos – a valorização máxima da nossa terra.”

E mais adiante, finalizando, ” Partidários embora, ou do branco, ou do amarelo, ou do rubro, sê-lo-emos, sim, perante a política geral; mas no tocante à vitalização na nossa terra, do nosso concelho, seremos, deveremos ser todos, pura e simplesmente bairristas”.

Intitulava-se Tribuna de Maçãs de D. Maria.

Volta no Nº 8 ( Setembro de 1926) Ferreira Afonso, a escrever outro magnifico artigo de fundo intitulado “Governar e Governar-se” e veio, em local, referir-se ao estado calamitoso em que se encontrava estrada municipal de acesso à vila e à má conservação da calçada dentro dela.

Depois, no período a que nós temos vindo a referir e compulsados os números do jornal existentes, não apareceu qualquer outra rubrica com esse título.

Maçãs, aparece, contudo, em dois momentos.

O primeiro, foi aquando da extinção da Comarca. Nessa altura, com alguma razão, gerou-se um movimento a favor da integração da freguesia, para fins judiciais, na Comarca de Figueiró dos Vinhos, acontecendo o mesmo, aliás, com a de S. Pedro do Rêgo da Murta, em relação a Tomar.

O segundo foi, quando a seguir à extinção da Comarca, se gerou o pânico quanto à extinção do próprio Concelho, como em outro local ficou relatado.

Aí, voltou a gerar-se um movimento para a anexação do lugar das Cabeças a Figueiró dos Vinhos.
Contrariou-o fortemente (Julho de 1927) o Sr. Mateus Pereira dos Reis, das Ferrarias, e outras figuras gradas da terra.

Em Outubro de 1927, o presidente da Junta de Freguesia de então, assinou, ele só, uma representação, a pedir ao Governo que fosse desanexada toda a freguesia, que deveria passar a pertencer ao concelho de Figueiró dos Vinhos.
O jornal veio impiedosamente a atacar essa posição, mandando-o mudar, ele mesmo, de residência…

Talvez pelo facto de, neste período, não existir nenhuma instituição de relevo, a freguesia não foi muito referida.

Destaca-se, nas notas mundanas, a família Pimentel de Abreu.

Em Fevereiro/Março de 1926 é referida, com algum ênfase, a publicação do livro “ A Ribeirinha” de Avelino Ferreira Pedro.