28.11.05

Alvaiázere de outros tempos...(25)

A Organização Corporativa
Não será demais repetir que o Jornal, tendo sido lançado, em 1926, como um jornal eminentemente regionalista e defensor dos interesses do Concelho de Alvaiázere, se foi adaptando aos novos tempos, tornando-se num arauto do Estado Novo.
Aliás, é de assinalar que, não só os seus fundadores foram, por mérito próprio, ocupando lugares de destaque na estrutura emergente, como ainda, o próprio Jornal, passou a ser feito por homens do regime.
Chama-se a atenção para o seu corpo redactorial, já atrás referido, e para o facto desses indivíduos irem ocupar lugares de destaque na estrutura local do Estado Novo, particularmente o Dr. António de Freitas de quem mais tarde haveremos de falar mais detalhadamente.
Por esta razão, o Jornal tornou-se, nos seus artigos de fundo, um jornal doutrinário, editando regularmente pura propaganda, aliás, assumida, do Estado Novo.
É assim que, no seu n.º 63, de 27/10/35, é publicado um extenso artigo da autoria de C. onde é explicada a Organização Corporativa.
Para tal cita longamente Salazar, onde este expõe, de forma clara, o seu pensamento.
E o articulista conclui, afirmando: ”Os benefícios da organização corporativa, serão, então, de toda a ordem, a missão dos portugueses de boa vontade realizar-se-á dentro dela e Portugal, seguindo a obra de reconstrução empreendida dentro do Estado Novo, encontrará na representação nacional o apoio e o conselho de todas as categorias profissionais e morais, para que mais facilmente a obra se mantenha e a Revolução continue.”

Entretanto, o Sr. Augusto Teixeira da Cunha, importante lavrador da Pelmá, escrivão de direito aposentado, tendo presta serviço nas comarcas de Alvaiázere, Ansião e Pombal, aderiu ao Estado Novo, tornando pública a sua adesão por intermédio do Dr. Manuel Ribeiro Ferreira.

Joaquim da Silva Ameixeira, natural da Pombaria e importante comerciante em Lisboa, faz publicar um artigo de sua autoria, com o título “ A Função do Bombeiro na Sociedade”, em que faz um apelo a todos os alvaiazerenses, para que se institua uma Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários.

Foi esta a primeira referência aos bombeiros de que, mais tarde, nos iremos ocupar mais em pormenor.


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26.11.05

Alvaiázere de outros tempos...(24)

O 14 de Agosto de 1385

Parece que não se enquadra dentro desta série de apontamentos invocar tal data.
Sucede que, na mesma, ocorreu a Batalha de Aljubarrota, em que os portugueses derrotaram o numeroso exército espanhol, promovendo agora o Regime a sua comemoração, na forma nacionalista, bem vincada.

No nº 56 do Jornal, são publicados dois artigos de fundo, um intitulado Nun’Álvares e outro 14 de Agosto.
Nele são invocados, não só a figura de Nuno Álvares Pereira, como ainda são relatados, de forma empolgante, os factos ocorridos na Batalha, com grande destaque para os feitos da Ala dos Namorados.

Tal foi a importância dada à comemoração, que um grupo de individualidades conhecidas no concelho, repartiu entre si a tarefa de ir a cada freguesia, explicar ao povo quanto tinha sido para Portugal importante a vitória obtida sobre os espanhóis.

Assim, à freguesia de Maçãs de D. Maria deslocou-se o Dr. António Campeão de Freitas, que foi fazer uma palestra sobre o tema.
Para freguesia da Pelmá foi o Dr. Reis. Moura, para a de Almoster, o Dr. Orvalho Teixeira, para a de Maçãs de Caminho o Dr. Artur Condorcet de Vasconcelos, para de Pussos, o Dr. António Furtado dos Santos e para a do Rego da Murta, o Sr. Aníbal de Freitas.

Daqui se pode extrair que o Regime, comemorando esta data de forma tão expressiva, estava demarcar-se de Espanha e dos ventos que por lá sopravam.

Não nos esqueçamos que se estava perto da eclosão da Guerra Civil.

22.11.05

Alvaiázere de outros tempos...(23)

O 3º Aniversário da Posse de Salazar


No dia 7 de Julho de 1935, Alvaiázere esteve em festa e toda vila se engalanou.

Um mês antes tinha nomeada uma comissão camarária para organizar o evento.

Houve foguetes desde o romper da aurora.

A Sociedade Filarmónica, deu um concerto no Coreto.

Festejava-se o 3º aniversário da posse, em 1932, do Presidente do Conselho, Dr. Oliveira Salazar.

De Leiria veio o Dr. Saudade e Silva, em representação distrital da União Nacional.

Decorreu uma sessão pública nos Paços do Concelho, onde se enalteceu, no meio de empolgantes discursos, toda a obra realizada pelo homenageado.

Fizeram parte da Mesa:
José Rafael de Freitas – Vice-presidente da Comissão Concelhia da União Nacional;
Dr. Reis Moura – Sub-Delegado do Julgado Municipal;
Dr. António Campeão de Freitas – Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal;
Sr. Acácio Manso – Administrador do Concelho
Dr. Emídio Pimentel de Abreu – Presidente da Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de Maçãs de D. Maria.

Era o Estado Novo na sua plenitude.

Dois anos antes, tinha sido plebiscitada a Nova Constituição.

Daí a um ano, eclodiria a Guerra Civil de Espanha

21.11.05

Alvaiázere de outros tempos...(22)

Bem-haja!
Com este titulo e com grande destaque, é publicado na primeira página do Nº 53 do Jornal um artigo subscrito por toda a redacção, em que são enaltecidos os seus fundadores, aí carinhosamente tratados por “Rapazes do Casal Novo”.

Em 1926, ano de primeira publicação do jornal, esses rapazes, eram-no efectivamente.
António teria 20 anos e Manuel 18, ambos respectivamente quartanista e quintanista de Direito, na Faculdade de Direito de Lisboa.

Ambos sabiam perfeitamente o que queriam.
Eram politizados, confessos adeptos da extrema-direita da altura, que se confundia, de certo modo, com a Causa Monárquica.

O Jornal, lançou-se baseado na defesa intransigente dos valores e interesses do Concelho.
Abraçou causas por que lutou e que deram os seus frutos, conforme foi relatado nos primeiros apontamentos que publicámos.

O Concelho de Alvaiázere, como provavelmente muitos no País, estava sem estradas, sem assistência pública eficaz, com as poucas instituições que existiam em decadência.

Foi lançando a discussão sobre todos esses temas e demonstrando uma orientação política coerente, que o Jornal se implantou e conseguiu uma tiragem invejável para a época e para um jornal regional, de 1000 exemplares.

Na segunda fase de publicação que se inicia em 1935, o jornal já apresenta um quadro redactorial que assume muito mais a sua feitura, além de que aparece um Administrador para tratar de toda a parte financeira.

Esse quadro redactorial era composto por um padre que esteve algum tempo na Pelmá (P. Paulo Vilaça Machado), e por dois Homens do Regime, Dr.s António Campeão de Freitas e o veterinário Dr. João Orvalho Teixeira.
E os “rapazes”?
Pois, nessa altura, volvidos nove anos sobre a fundação do Jornal, Manuel Ribeiro Ferreira era o Presidente da Comissão Distrital de Leiria da União Nacional e Deputado da Nação por este Distrito, tendo já sido no período antecedente Administrador do Concelho de Alvaiázere e Governador Civil do Distrito.
António Ribeiro Ferreira continuava a exercer a advocacia em Lisboa e era, em 1935, Vogal da Câmara Municipal de Lisboa, com o pelouro difícil das Finanças.

Daí que, de forma empolgada, a Redacção viesse tecer os mais rasgados elogios aos fundadores do Jornal, agradecendo-lhes com um Bem-haja!

19.11.05

Alvaiázere de outros tempos...(21)

INTERVALO

Tem descido a inserção de apontamentos neste Blog.
Tal circunstância teve uma razão de ser.
É que eu só possuía exemplares a partir de 7 de Novembro de 1937, não sabendo o que aconteceu entre Novembro de 1929 e esta data.
Para saber, necessário seria ir à Biblioteca Nacional e o tempo e os afazeres não o proporcionavam.

Finalmente, foi possível desvendar o mistério!
Acontece que, entre Novembro de 1929 e 26 de Maio de 1935, o jornal não foi publicado.

A publicação fez, assim, um intervalo de seis anos!

Depois, voltou com Redacção renovada e com um administrador.
Os Directores continuaram a ser os “rapazes” do Casal Novo, Dr.s António e Manuel Ribeiro Ferreira.
A linha editorial a mesma, sendo que, evoluída, pois estava implantado o Estado Novo.

Pertenciam à Redacção os Dr.s António Campeão de Freitas e Orvalho Teixeira e o P.e Paulo Vilaça Machado (Pelmá).
O Editor era M.J. Ferreira e o Administrador o Sr. Joaquim Lopes Ferreira, regressado entretanto de Angola.

Nestes seis anos, muita coisa aconteceu em Portugal e, necessariamente, em Alvaiázere.
As pessoas e as instituições que temos vindo a fazer referencia, também evoluíram no novo Regime.

E é isso que vamos analisar de futuro

8.11.05

Alvaiázere de outros tempos...(20)

Curiosidades jornalísticas…

No período “post” 28 de Maio, foram surgindo uma série de publicações, tentando defender as diversas correntes políticas que germinavam no terreno ainda pouco firme da Revolução.
Merece destaque, desde logo, o jornal “O Mensageiro” de Leiria (Marrazes), dirigido pelo politicamente truculento P. Lacerda.
Este jornal sempre teve especiais ligações a “O Alvaiazerense”, ao ponto de, muito mais tarde, até o vir a atacar, quando era seu grande impulsionador o Senhor Mário Nunes Sério.
Outras publicações referidas pelo Jornal na época que estamos a tratar e referidas com destaque, foram as seguintes:
- Jornal da Figueira – Director Dr. César Freire Paixão – tinha com programa a defesa do lema “ Deus, Pátria e Família”;
- Acção Nacional – Directores Dr.s Alberto Pires de Lima e André Ribeiro, que tinha como lema “ Deus Pátria e Rei”, com a defesa intransigente do integralismo;
- União Nacional – Órgão da Liga 28 de Maio (Secção de Leiria).

Vivia-se a época do arrumar de ideias e defendiam-se algumas que mais tarde vingaram...


2.11.05

Apontamento

POSSE


No passado dia 28 de Outubro, tomaram posse no Salão Nobre da Câmara Municipal, os novos gestores autárquicos.
Não cabe a este Blog a reportagem.

Cabe, isso sim, assinalar o facto e fazer votos para que a sua acção seja profícua na condução dos destinos do Concelho de Alvaiázere.
Face ao panorama envolvente, este Concelho bem necessita de um “abanão” se quiser sobreviver.

Por exemplo, deveria ser uma questão fundamental do concelho, que envolvesse todos os alvaiazerenses, nele residentes ou não, que mobilizasse todas as instituições, que fizesse sobressair as “forças vivas”, a construção do IC 3, de forma a que, o seu traçado passasse por, e servisse, Alvaiázere.

Se rapidamente não existir essa mobilização, e pode até acontecer que infelizmente já seja tarde, então Alvaiázere ficará definitivamente afastada do progresso.
E aí, pode vir a pôr-se o problema, hoje já em discussão lançada pelo Governo, da sobrevivência do próprio concelho, como autarquia local, que hoje é.