18.1.06

Alvaiázere de outros tempos...(28)

Os Ventos de Espanha e a Legião Portuguesa

Já foi referido que o Jornal, depois da sua reaparição em 1935, se foi tornando, cada vez mais, um veículo de propaganda do emergente regime.
É nesse contexto que toma partido pelas tropas nacionalistas que, na vizinha Espanha, lutavam contra a Frente Popular.
Na edição de 10/05/1936, relata mesmo que, entre 16/02 e 2/04 desse ano, depois do triunfo da Frente Popular, ocorreram assaltos contra sedes de partidos políticos, edifícios públicos, igrejas, recontros sangrentos, fuzilamentos e atentados bombistas.
Era este o ambiente que se queria fazer reflectir para que os leitores se apercebessem de quão mau era o regime instituído pela Frente Popular.
Na mesma edição fazia-se ampla referência ao discurso de Salazar na Assembleia Nacional, proferido no encerramento da sessão legislativa.
Aí, o mesmo defendia que Portugal, para progredir precisava de ter paz interna, precisava de viver de si próprio, restabelecendo a unidade da sua história, defendendo-se da invasão das influências estrangeiras, que tão lamentáveis e perigosos resultados de decadência e atribulação tinham trazido.

Na edição seguinte, de 31/05/36, com o título “ A Grande Guerra” é publicado um artigo doutrinário contra o comunismo fazendo igualmente um forte ataque ao que se está a passar em Espanha.

Entretanto, a Comissão Concelhia da União Nacional, promoveu em 23 de Maio, pelas 11 horas, na Escola do Sexo Masculino de Maçãs de D. Maria, um sessão de propaganda nacionalista.
Presidiu à Mesa o Sr Rafael de Freitas, compondo-a também o Dr. Emídio Pimentel de Abreu e o Prof. Ferreira Afonso.
Foram oradores os Dr.s António de Freitas e Orvalho Teixeira.
Este, fez o elogio ao Estado Novo, terminando dizendo que, “Devemos pois ser nacionalistas e do Estado Novo, porque ser nacionalista é amar a família; ser nacionalista é não querer revoluções nem desonras; ser nacionalista é, finalmente, possuir a verdade.”
Em 19 /07/36, realizou-se outra sessão de propaganda na Pelmá.


Na edição de 30/09, é publicado outro artigo de fundo com o título “Em terras de Espanha”, em que é referido que, há mais de um mês as duas frentes beligerantes se pretendem exterminar.
Refere então que há o propósito de implantar em Espanha um regime comunista, com a ajuda da Rússia.
E observa: “ Foi contra este estado de coisas que o Exército e a Espanha nacionalista, crente e patriótica se revoltaram e vêm lutando, num esforço gigantesco, procurando exterminar e combater de vez o veneno que se estava apossando do organismo da Nação, e ameaçava perdê-la.”

Fazia-se votos do triunfo da ordem contra a desordem.

Entretanto, organizava-se no Campo Pequeno, em Lisboa, um comício anti-comunista.
No mesmo e por iniciativa do então Capitão Botelho Moniz, é lançada a ideia da criação de uma Legião Cívica Portuguesa.
Destinava-se a mesma a enquadrar “todos aqueles que, num acto voluntário e consciente e aceitando de coração alto, os maiores sacrifícios, dêem um passo em frente e acorram à chamada da defesa de tudo o que temos de mais sagrado.”

O Jornal dá notícia da inscrição em massa que se vem fazendo em todo o País, atribuindo tal facto ao arreigado patriotismo dos que não se deixam subverter.
Estava lançada a Legião Portuguesa.
Na edição de 25/10/36, dá-se conta que o Governo a criou por decreto.
Tratava-se de uma organização civil, com disciplina de carácter militar, contra os “desordeiros desnacionalizados”.
Num artigo intitulado “ Quem não é por nós...”, dessa edição, justifica-se a necessidade da existência da Legião da seguinte forma:
“Basta este facto (luta contra os desordeiros desnacionalizados), para constituir por si só a prova da sua utilidade. De resto, ainda que assim não fosse, a Legião Portuguesa teria a grande e enorme vantagem de extremar campos. Quem não é por nós é contra nós, diz o velho refrão português. De futuro, quem, podendo fazê-lo, não tomar lugar entre os que combatem o comunismo, ajuda pela sua inércia e colabora na propagação desse mesmo comunismo.”
Foi publicada, neste número, a primeira lista de inscritos na Legião Portuguesa do Concelho de Alvaiázere.
Pela freguesia de Maçãs de Caminho inscreveram-se 12 homens, e na de Alvaiázere um.


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