A Fundação Dos Bombeiros Voluntários
Já atrás referi que o Jornal vinha abordando o fenómeno da criação de instituições de Bombeiros Voluntários pelo País.
Alguns artigos já tinham sido nele publicados, sendo de salientar aqueles que subscreveu Joaquim da Silva Ameixeira.
É precisamente pela iniciativa deste alvaiazerense, comerciante de sucesso em Lisboa,juntamente com Júlio da Graça Antunes, outro distinto comerciante da Capital, que, em Novembro de 1936, se realizou uma reunião, na Associação Comercial dos Logistas, com o fim de promover a criação de um corpo de Bombeiros em Alvaiázere.
A reunião foi presidida pelo dr. Manuel Ribeiro Ferreira e da mesma saiu a primeira Comissão promotora da iniciativa, que passou a ser composta, além do Dr. Manuel Ribeiro Ferreira, pelos senhores Joaquim Ameixeira, José de Freitas e Júlio da Graça Antunes.
Teve a presença de muitos alvaiazerenses residentes em Lisboa e, tendo sido aberta uma subscrição, rendeu logo a mesma a quantia de 8 contos de réis.
Houve, desde logo, bastantes manifestações de adesão, mas somente em 22 de Abril de 1937, se realizou uma reunião em Alvaiázere, no salão da Assembleia.
Saíram da mesma eleitas sete comissões, uma por cada freguesia, que vieram a dar o impulso fundamental, para que o obra fosse para a frente.
Eram, assim, compostas:
Alvaiázere: dr. Rui Rosa e Manuel Simões Cardo; Almoster: P.e Serra, António Marques e Estevão Pereira dos Reis;Pelmá: Augusto Teixeira da Cunha, Afonso Melo Barata Pereira, Vitorino Nunes júnior; Maçãs de D. Maria: Mateus Pereira dos Reis, António Lopes, João Simões Pulido; Pussos: Acácio Frazão, Domingos Paiva de Lima Ribeiro; Rego da Murta: Aníbal Freitas; Maçãs de Caminho: P.e Melo e António Alves Barros.
Uma equipa a que pertenceu Viriato Rosa e José Marques de Freitas, se encarregou de elaborar as cerca de três mil circulares que estas comissões distribuiram, com o intuito de angariarem sócios e fundos, para a grande obra que se propunham realizar.
27.1.06
18.1.06
Alvaiázere de outros tempos...(28)
Os Ventos de Espanha e a Legião Portuguesa
Já foi referido que o Jornal, depois da sua reaparição em 1935, se foi tornando, cada vez mais, um veículo de propaganda do emergente regime.
É nesse contexto que toma partido pelas tropas nacionalistas que, na vizinha Espanha, lutavam contra a Frente Popular.
Na edição de 10/05/1936, relata mesmo que, entre 16/02 e 2/04 desse ano, depois do triunfo da Frente Popular, ocorreram assaltos contra sedes de partidos políticos, edifícios públicos, igrejas, recontros sangrentos, fuzilamentos e atentados bombistas.
Era este o ambiente que se queria fazer reflectir para que os leitores se apercebessem de quão mau era o regime instituído pela Frente Popular.
Na mesma edição fazia-se ampla referência ao discurso de Salazar na Assembleia Nacional, proferido no encerramento da sessão legislativa.
Aí, o mesmo defendia que Portugal, para progredir precisava de ter paz interna, precisava de viver de si próprio, restabelecendo a unidade da sua história, defendendo-se da invasão das influências estrangeiras, que tão lamentáveis e perigosos resultados de decadência e atribulação tinham trazido.
Na edição seguinte, de 31/05/36, com o título “ A Grande Guerra” é publicado um artigo doutrinário contra o comunismo fazendo igualmente um forte ataque ao que se está a passar em Espanha.
Entretanto, a Comissão Concelhia da União Nacional, promoveu em 23 de Maio, pelas 11 horas, na Escola do Sexo Masculino de Maçãs de D. Maria, um sessão de propaganda nacionalista.
Presidiu à Mesa o Sr Rafael de Freitas, compondo-a também o Dr. Emídio Pimentel de Abreu e o Prof. Ferreira Afonso.
Foram oradores os Dr.s António de Freitas e Orvalho Teixeira.
Este, fez o elogio ao Estado Novo, terminando dizendo que, “Devemos pois ser nacionalistas e do Estado Novo, porque ser nacionalista é amar a família; ser nacionalista é não querer revoluções nem desonras; ser nacionalista é, finalmente, possuir a verdade.”
Em 19 /07/36, realizou-se outra sessão de propaganda na Pelmá.
Na edição de 30/09, é publicado outro artigo de fundo com o título “Em terras de Espanha”, em que é referido que, há mais de um mês as duas frentes beligerantes se pretendem exterminar.
Refere então que há o propósito de implantar em Espanha um regime comunista, com a ajuda da Rússia.
E observa: “ Foi contra este estado de coisas que o Exército e a Espanha nacionalista, crente e patriótica se revoltaram e vêm lutando, num esforço gigantesco, procurando exterminar e combater de vez o veneno que se estava apossando do organismo da Nação, e ameaçava perdê-la.”
Fazia-se votos do triunfo da ordem contra a desordem.
Entretanto, organizava-se no Campo Pequeno, em Lisboa, um comício anti-comunista.
No mesmo e por iniciativa do então Capitão Botelho Moniz, é lançada a ideia da criação de uma Legião Cívica Portuguesa.
Destinava-se a mesma a enquadrar “todos aqueles que, num acto voluntário e consciente e aceitando de coração alto, os maiores sacrifícios, dêem um passo em frente e acorram à chamada da defesa de tudo o que temos de mais sagrado.”
O Jornal dá notícia da inscrição em massa que se vem fazendo em todo o País, atribuindo tal facto ao arreigado patriotismo dos que não se deixam subverter.
Estava lançada a Legião Portuguesa.
Na edição de 25/10/36, dá-se conta que o Governo a criou por decreto.
Tratava-se de uma organização civil, com disciplina de carácter militar, contra os “desordeiros desnacionalizados”.
Num artigo intitulado “ Quem não é por nós...”, dessa edição, justifica-se a necessidade da existência da Legião da seguinte forma:
“Basta este facto (luta contra os desordeiros desnacionalizados), para constituir por si só a prova da sua utilidade. De resto, ainda que assim não fosse, a Legião Portuguesa teria a grande e enorme vantagem de extremar campos. Quem não é por nós é contra nós, diz o velho refrão português. De futuro, quem, podendo fazê-lo, não tomar lugar entre os que combatem o comunismo, ajuda pela sua inércia e colabora na propagação desse mesmo comunismo.”
Foi publicada, neste número, a primeira lista de inscritos na Legião Portuguesa do Concelho de Alvaiázere.
Pela freguesia de Maçãs de Caminho inscreveram-se 12 homens, e na de Alvaiázere um.
ttp://alvaiazerense.blogspot.com/">Alvaiazerense
Já foi referido que o Jornal, depois da sua reaparição em 1935, se foi tornando, cada vez mais, um veículo de propaganda do emergente regime.
É nesse contexto que toma partido pelas tropas nacionalistas que, na vizinha Espanha, lutavam contra a Frente Popular.
Na edição de 10/05/1936, relata mesmo que, entre 16/02 e 2/04 desse ano, depois do triunfo da Frente Popular, ocorreram assaltos contra sedes de partidos políticos, edifícios públicos, igrejas, recontros sangrentos, fuzilamentos e atentados bombistas.
Era este o ambiente que se queria fazer reflectir para que os leitores se apercebessem de quão mau era o regime instituído pela Frente Popular.
Na mesma edição fazia-se ampla referência ao discurso de Salazar na Assembleia Nacional, proferido no encerramento da sessão legislativa.
Aí, o mesmo defendia que Portugal, para progredir precisava de ter paz interna, precisava de viver de si próprio, restabelecendo a unidade da sua história, defendendo-se da invasão das influências estrangeiras, que tão lamentáveis e perigosos resultados de decadência e atribulação tinham trazido.
Na edição seguinte, de 31/05/36, com o título “ A Grande Guerra” é publicado um artigo doutrinário contra o comunismo fazendo igualmente um forte ataque ao que se está a passar em Espanha.
Entretanto, a Comissão Concelhia da União Nacional, promoveu em 23 de Maio, pelas 11 horas, na Escola do Sexo Masculino de Maçãs de D. Maria, um sessão de propaganda nacionalista.
Presidiu à Mesa o Sr Rafael de Freitas, compondo-a também o Dr. Emídio Pimentel de Abreu e o Prof. Ferreira Afonso.
Foram oradores os Dr.s António de Freitas e Orvalho Teixeira.
Este, fez o elogio ao Estado Novo, terminando dizendo que, “Devemos pois ser nacionalistas e do Estado Novo, porque ser nacionalista é amar a família; ser nacionalista é não querer revoluções nem desonras; ser nacionalista é, finalmente, possuir a verdade.”
Em 19 /07/36, realizou-se outra sessão de propaganda na Pelmá.
Na edição de 30/09, é publicado outro artigo de fundo com o título “Em terras de Espanha”, em que é referido que, há mais de um mês as duas frentes beligerantes se pretendem exterminar.
Refere então que há o propósito de implantar em Espanha um regime comunista, com a ajuda da Rússia.
E observa: “ Foi contra este estado de coisas que o Exército e a Espanha nacionalista, crente e patriótica se revoltaram e vêm lutando, num esforço gigantesco, procurando exterminar e combater de vez o veneno que se estava apossando do organismo da Nação, e ameaçava perdê-la.”
Fazia-se votos do triunfo da ordem contra a desordem.
Entretanto, organizava-se no Campo Pequeno, em Lisboa, um comício anti-comunista.
No mesmo e por iniciativa do então Capitão Botelho Moniz, é lançada a ideia da criação de uma Legião Cívica Portuguesa.
Destinava-se a mesma a enquadrar “todos aqueles que, num acto voluntário e consciente e aceitando de coração alto, os maiores sacrifícios, dêem um passo em frente e acorram à chamada da defesa de tudo o que temos de mais sagrado.”
O Jornal dá notícia da inscrição em massa que se vem fazendo em todo o País, atribuindo tal facto ao arreigado patriotismo dos que não se deixam subverter.
Estava lançada a Legião Portuguesa.
Na edição de 25/10/36, dá-se conta que o Governo a criou por decreto.
Tratava-se de uma organização civil, com disciplina de carácter militar, contra os “desordeiros desnacionalizados”.
Num artigo intitulado “ Quem não é por nós...”, dessa edição, justifica-se a necessidade da existência da Legião da seguinte forma:
“Basta este facto (luta contra os desordeiros desnacionalizados), para constituir por si só a prova da sua utilidade. De resto, ainda que assim não fosse, a Legião Portuguesa teria a grande e enorme vantagem de extremar campos. Quem não é por nós é contra nós, diz o velho refrão português. De futuro, quem, podendo fazê-lo, não tomar lugar entre os que combatem o comunismo, ajuda pela sua inércia e colabora na propagação desse mesmo comunismo.”
Foi publicada, neste número, a primeira lista de inscritos na Legião Portuguesa do Concelho de Alvaiázere.
Pela freguesia de Maçãs de Caminho inscreveram-se 12 homens, e na de Alvaiázere um.
ttp://alvaiazerense.blogspot.com/">Alvaiazerense
1.1.06
BOM ANO DE 2006
Aos eventuais leitores deste Blog desejo um Bom Ano de 2006.
Continuarei a fornecer dados, que me parecem importantes para um melhor conhecimento da história das instituções, no Concelho de Alvaiázere.
Mesmo que se diga que história pouco interessa, defendo que o seu conhecimento é importante para planear o futuro, sendo, nesse sentido que trabalho.
Não sou um historiador.
As pistas que forneço, podem ser valiosas para que alguém que queira aprofundar o que se passou e, assim, se consiga construir uma monografia do Concelho, que tão útil será para quantos amam a sua terra e para que tem o dever de decidir o seu destino.
Continuarei a fornecer dados, que me parecem importantes para um melhor conhecimento da história das instituções, no Concelho de Alvaiázere.
Mesmo que se diga que história pouco interessa, defendo que o seu conhecimento é importante para planear o futuro, sendo, nesse sentido que trabalho.
Não sou um historiador.
As pistas que forneço, podem ser valiosas para que alguém que queira aprofundar o que se passou e, assim, se consiga construir uma monografia do Concelho, que tão útil será para quantos amam a sua terra e para que tem o dever de decidir o seu destino.
Impostos, despesa pública e obras...
Findo um ano cheio de acontecimentos políticos importantes para e definição do futuro de Portugal,tais como as eleições legislativas primeiro, e depois as eleições autárquicas, heis que nos deparamos com o acentuar de uma crise das finanças públicas, que está inexoravelmente a contaminar toda a economia.
Se é certo que essa crise tem conduzido ao cada vez maior apertar do cinto de todos os portugueses, não é menos certo que o despesismo do Estado não tem diminuído de forma significativa.
A consequência inevitável de tal facto, é traduzida pelo aumento mais ou menos encapotado dos impostos.
Ora, o cidadão comum, não pode aceitar que o dinheiro que dispende nos impostos seja malbaratado em despesas sem sentido.
E elas tanto podem traduzir-se nas grandes obras públicas, como sejam aeroportos ou linhas de alta velocidade, como em certas obras municipais.
As Administrações, quer central, regional ou local, têm de estar vinculadas a critérios de poupança que o País exige, e ainda que se possa defender que certos investimentos públicos geram emprego, funcionando como impulsionadores da economia,também é certo que, se não forem produtivos, vão mais tarde transformar-se em mais despesa, já que necessitam de manutenção, que se torna dispendiosa.
Veja-se, a título de exemplo, a construção dos estádios de futebol.
Focalizando o problema a nível local, penso que seja a altura de haver um pouco mais de cuidado no lançamento de determinadas obras, pois, mais tarde, vão tornar-se um peso para a despesa, sem que, mesmo esteticamente, se tenham obtido grandes resultados, tornado-se pesadas na sua manutenção e porventura pouco úteis.
É disto exemplo o recente arranjo efectuado nas traseiras da Igreja Matriz de Alvaiázere.
Na minha opinião, ainda que seja um trabalho de arquitectura respeitável, enquanto criação intelectual, não me parece adequado para o espaço e até muito pouco útil.
Talvez um pouco de conhecimento da história do local, por parte de quem concebeu e por parte de quem decidiu, tivesse ajudado a arranjar uma solução porventura msis económica e que resultasse melhor.
É bom não esquecer que se está a exigir, e bem, aos particulares proprietários dos prédios circundadantes do dito espaço que mantenham as fachada dos seu prédios para que não se perca o pouco que já resta do centro histórico da Vila.
E faz-se uma obra daquelas?
Não faz sentido e a ela se aplica o exemplo de como se gasta dinheiro público mal gasto.
E não se diga que teve origem em subsídos, externos ao município.
Por esse facto, não continuará a vir dos nossos impostos?
Se é certo que essa crise tem conduzido ao cada vez maior apertar do cinto de todos os portugueses, não é menos certo que o despesismo do Estado não tem diminuído de forma significativa.
A consequência inevitável de tal facto, é traduzida pelo aumento mais ou menos encapotado dos impostos.
Ora, o cidadão comum, não pode aceitar que o dinheiro que dispende nos impostos seja malbaratado em despesas sem sentido.
E elas tanto podem traduzir-se nas grandes obras públicas, como sejam aeroportos ou linhas de alta velocidade, como em certas obras municipais.
As Administrações, quer central, regional ou local, têm de estar vinculadas a critérios de poupança que o País exige, e ainda que se possa defender que certos investimentos públicos geram emprego, funcionando como impulsionadores da economia,também é certo que, se não forem produtivos, vão mais tarde transformar-se em mais despesa, já que necessitam de manutenção, que se torna dispendiosa.
Veja-se, a título de exemplo, a construção dos estádios de futebol.
Focalizando o problema a nível local, penso que seja a altura de haver um pouco mais de cuidado no lançamento de determinadas obras, pois, mais tarde, vão tornar-se um peso para a despesa, sem que, mesmo esteticamente, se tenham obtido grandes resultados, tornado-se pesadas na sua manutenção e porventura pouco úteis.
É disto exemplo o recente arranjo efectuado nas traseiras da Igreja Matriz de Alvaiázere.
Na minha opinião, ainda que seja um trabalho de arquitectura respeitável, enquanto criação intelectual, não me parece adequado para o espaço e até muito pouco útil.
Talvez um pouco de conhecimento da história do local, por parte de quem concebeu e por parte de quem decidiu, tivesse ajudado a arranjar uma solução porventura msis económica e que resultasse melhor.
É bom não esquecer que se está a exigir, e bem, aos particulares proprietários dos prédios circundadantes do dito espaço que mantenham as fachada dos seu prédios para que não se perca o pouco que já resta do centro histórico da Vila.
E faz-se uma obra daquelas?
Não faz sentido e a ela se aplica o exemplo de como se gasta dinheiro público mal gasto.
E não se diga que teve origem em subsídos, externos ao município.
Por esse facto, não continuará a vir dos nossos impostos?
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