2.11.08

Alvaiázere de outros tempos (40)

DOMINGO, 7 DE NOVEMBRO DE 1937


Trata-se da data de edição do nº 96 do jornal " O Alvaiazerense". O jornal estava no ano VII da sua edição.


Pela quantidade e diversidade de eventos nele tratados , merece que paremos um pouco e aqui se faça um ponto de situação.

Estávamos no Estado Novo em todo o seu esplendor. Consolidavam-se as reformas, nomeadamente a trazida pelo vigência do novo Código administrativo, com a eleição das juntas de freguesia, a Legião Portuguesa ia de vento em popa, continuava a doutrinação...


Na coluna ECOS, dava-se conta que o Dr. Ruy Álvaro de Castro Rosa deixou de ser comandante do Núcleo Concelhio, para ir ocupar as funções públicas de notário em Vila Nova de Cerveira, tendo sido substituído por Domingos Paiva Ribeiro, comandante de lança e "arreigado nacionalista e legionário cem por cento"


Assinala o mesmo artigo que " acabadas as férias a Legião voltou à sua natural actividade tanto mais que foram entregues ao Núcleo de Alvaiázere trinta e duas armas de guerra e respectivos sabres".


Concluía que dentro em breve seria distribuída nova remessa, já que o Núcleo, composto por duas Lanças, pois era considerado como um dos núcleos mais bem organizados do Distrito.

Entretanto, o Sr. António Henriques Ferreira e sua esposa D. Rosa Ribeiro Ferreira, ofereceram ao Delegado do Comando Distrital da L.P. Dr. António Freitas, uma bandeira destinada ao Terço de Alvaiázere.


Vem este número do jornal assinalar dois importantes melhoramentos para o concelho:



O primeiro, era a conclusão das obras de beneficiação e correcção da estrada que liga a Vila de Alvaiázere a Cabaços;


O segundo, referia-se à conclusão dos trabalhos de electrificação da vila e de Cabaços, que mais tarde viriam a ser inaugurados.


Foi também publicada uma pequena notícia ao fundo de uma página intitulada Novo Médico, que assim rezava:


" Fixou residência em Alvaiázere onde muito brevemente vai abrir o seu consultório, um novo médico, que há dois anos vem exercendo clínica na cidade de Coimbra. Ao nosso médico os nossos cumprimentos e o desejo das maiores prosperidades."


Somente isto Nem tão pouco o nome do clínico que certamente não pertenceria à União Nacional e tinha vindo afrontar os interesses instalados.


Era Alvaiázere no seu melhor!


Vale a pena agora, para ilustrar o espírito que se vivia, analisar o artigo abaixo publicado e que constava da publicação em análise.


Intitula-se o artigo Voluntários da Ordem e não é assinado.
Começa por afirmar que, se a Mocidade Portuguesa desempenha um papel forte na formação nacionalista das novas gerações, a Legião tem outro papel a desempenhar que se caracteriza sobretudo por uma acção de defesa e resistência directa aos ataques do inimigo vermelho.
Havia que reunir gente válida para a criação de um exército suplementar criando uma verdadeira falange anti-comunista, pois estava-se a ver bem perto ( Espanha) as consequências fatais das ambições de Moscovo.
E concluía assim:
" O desenvolvimento dos sentimentos nacionalistas mais íntegros, no sentido construtivo e profundo, que Salazar soube imprimir-lhes,; o aperfeiçoamento das qualidades ou virtudes básicas, indispensáveis a uma digna colaboração, tais como a obediência firme e incondicional à voz dos superiores, a par de uma disciplina que verdadeiramente possa chamar-se de ferro,- tudo isto deve estar presente a todo o momento na índole do legionário, avivando-lhe o entusiasmo e o amor pela causa que com tanta galhardia ele defende."
Em Alvaiázere vivia-se este espírito, com os legionários a serem armados, enquanto que em Espanha se estava a ferro e fogo, com Franco a tentar a todo o custo, com o auxílo de Hitler e Mussolini. invadir Madrid e tomar o poder.
Enquanto isto o Dr. Manuel Ribeiro Ferreia dirigia uma carta à Colónio de Alvaiazerenses em Lisboa, pedindo que não fosse organizado um almoço em sua homenagem em Lisboa.
Disso trataremos posteriormente.
E é anunciado que, a partir de 4 de Outubro de 1937, passou a existir diariamente uma Nova Carreira de Camionetasentre Cabaços e Coimbra da empresa Acácio J. Alves & Cª de Maçãs de D. Maria.
Era a célebre camioneta das 7 ( em Alvaiázere) e que regressava depois às 19 horas.

Era esta a vida que se vicvia numa pequena vila que agurdava a vinda da electricidade e da II Guerra Mundial...










































Alvaiázere de outros tempos (39)

AS ELEIÇÕES PARA AS
JUNTAS DE FREGUESIA
Apurados os resultados das eleições para as juntas de freguesia, ocorridas em 10 de Outubro de 1937, verificou-se que em algumas freguesias se verificou a participação de 90% dos eleitores, que votaram, evidentemente, na lista única apresentada pela União Nacional.
No Jornal de 7 de Novembro de 1937, constatou-se essa realidade, afirmando-se, por outro lado, que não houve qualquer oposição, demonstrando-se, assim,"que os adversários do Estado Novo, continuam do lado oposto, por teimosia ou apego a velhos ideais, sempre prontos a censurar..."
Enfim, uns infelizes que não eram capazes de ver e reconhecer os benefícios dos novos tempos...
Concluía o articulista que sec tratava da vitória do nacionalismo puro, era a guerra contra quaisquer ideias subversivas e destruidoras, era a oposição à perda da nossa independência "para a defesa da qual oferecemos o nosso sangue e e nossa vida..."
Os membros das Juntas de Freguesia tomaram posse nas respectivas sedes, de forma a que pudessem entrar em fuñções no dia 1 de Janeiro de 1938.
O Dr. Ant´nio de Freitas conferiu posse, a Manuel Simões Cardo, presidente da Junta de Alvaiázere.
Os restantes foram empossados pelos senhores Rafael de Freitas, Augusto Terixeira da Cunha, P.e Manuel Gonçalves Serra, Acácio Manso, Acúrcio Mendes e Manuel da Silva, em representação do Presidente da Câmara.